O Renault Sandero Stepway 1.6 8V Easy-R 2015 costuma me mostrar rapidamente se a compra vai dar certo ou virar dor de cabeça. Já vi isso acontecer mais de uma vez. A pessoa entra no carro, gosta da posição mais alta, do espaço, fecha negócio animada. Alguns dias depois, volta com a mesma reclamação, o carro não responde como deveria quando precisa sair rápido ou subir uma rua curta. E aí não é defeito isolado, é característica.

“Já vi esse Stepway Easy-R 2015 agradar pelo espaço e pela altura de 190 mm, que encara rua ruim sem drama, e pelo motor 1.6 simples de manter, mas também já vi virar dor de cabeça pelo câmbio com trancos e desgaste de embreagem. Serve para quem aceita esse comportamento e quer custo mais baixo, não para quem busca conforto. Donos elogiam espaço, mas reclamam do câmbio, foi o que expliquei para o Rafael, de Uberlândia-MG.” – Opinião do Editor
Quando olho um Stepway Easy-R anunciado perto de R$ 41 mil, ou até na faixa dos R$ 30 mil, já sei o motivo de estar ali. O preço seduz porque o carro entrega mais espaço que muito rival direto. Só que não dá para avaliar esse Renault como um pacote completo. O motor até ajuda na conta, com até 106 cv e 15,5 kgfm, números suficientes para um hatch de 1.120 kg. Mas o câmbio muda completamente o julgamento.

Dirigindo esse Stepway, fica claro por que ele ainda aparece tanto nas buscas. Os 190 mm de altura evitam raspadas que outros hatches não perdoam. Já vi esse carro passar por rua esburacada que faria um compacto comum sofrer. O entre-eixos de 2.590 mm dá espaço de verdade atrás. O porta-malas de 320 litros segura a rotina sem esforço. Isso não é detalhe, é o que mantém o modelo vivo no mercado.
Agora vem a parte que pesa. Já conduzi unidades em bom estado e outras claramente cansadas. Em todas, o Easy-R nunca desaparece da experiência. Ele sempre aparece nas trocas, nas saídas, nas manobras. Não tem suavidade de automático tradicional. Em subida, já senti o carro hesitar mais do que deveria. Em vaga apertada, o atraso entre o pé e a resposta incomoda. Isso não é algo que você ignora depois de alguns dias.

Na oficina, esse Sandero costuma dividir a conta em duas partes bem diferentes. O motor 1.6 8V raramente assusta. É simples, conhecido, previsível. O problema começa quando o assunto vira câmbio. Embreagem, atuador, módulo. Já vi orçamento subir rápido por causa disso. E é o tipo de gasto que não dá muito aviso antes de aparecer.
Rodando com esse Stepway, os números ficam dentro do esperado, mas sem folga. Na cidade, faz 6,8 km/l com etanol e 9,6 km/l com gasolina. Na estrada, vai a 8,2 km/l e 11,4 km/l. Com tanque de 50 litros, chega perto dos 570 km com gasolina. Não compromete, mas também não compensa os incômodos do câmbio.
Já acelerei esse carro o suficiente para entender o limite dele. Vai de 0 a 100 km/h em 11,4 s e chega a 169 km/h. O motor não é o problema. A sensação é que sempre existe mais ali, mas o câmbio não deixa aproveitar. Isso cansa com o tempo.
Por dentro, já encontrei versões com Media Nav de 7″, GPS, Bluetooth, piloto automático. Para o ano, é um conjunto interessante. Mas ninguém entra nesse carro esperando refinamento. O acabamento entrega o básico e o isolamento não esconde tudo.
Também já vi muita gente ignorar essa parte. Ele tem ABS e airbags frontais, mas o resultado de 3 estrelas para adulto no Latin NCAP mostra o limite do projeto. Não é um carro inseguro, mas também não está no nível dos mais novos.
Conversando com donos, o padrão se repete. Elogiam o espaço, a altura, o conforto aceitável. Reclamam do câmbio, do consumo só razoável e do acabamento simples. Quando escuto a mesma história muitas vezes, paro de tratar como opinião isolada.

Já indiquei esse carro, mas sempre com condição. Ele funciona para quem quer espaço, enfrenta rua ruim e aceita um comportamento mais bruto. Para quem espera suavidade, silêncio e previsibilidade, vira frustração rápida.
Quando coloco esse Stepway ao lado de usados como CrossFox, HB20X, Onix 1.4 ou Etios, a decisão fica mais clara. Ele ganha em altura e espaço, mas perde em dirigibilidade. Olhando para carros mais novos como Argo Trekking ou até opções mais recentes do mercado, a diferença de evolução aparece sem esforço.
Se me perguntam direto se vale a pena, a resposta não é confortável. Eu só recomendaria esse Stepway Easy-R 2015 com histórico impecável e preço abaixo do manual. Fora disso, já vi esse carro virar arrependimento rápido demais para ignorar.
| Motor | 1.6 8V flex, 4 cilindros |
| Potência | Até 106 cv |
| Torque | 15,5 kgfm |
| Câmbio | Automatizado Easy-R, 5 marchas |
| Tração | Dianteira |
| 0 a 100 km/h | 11,4 s |
| Velocidade máxima | 169 km/h |
| Consumo cidade | 6,8 km/l (etanol) / 9,6 km/l (gasolina) |
| Consumo estrada | 8,2 km/l (etanol) / 11,4 km/l (gasolina) |
| Autonomia | Até 570 km (gasolina) |
| Tanque | 50 litros |
| Porta-malas | 320 litros |
| Altura do solo | 190 mm |
| Peso | 1.120 kg |